EXISTE RELAÇÃO ENTRE O TIPO DE COLCHÃO E DOR NAS COSTAS?


A dor lombar, conhecida como lombalgia, não é uma doença em si, mas um sintoma de várias possíveis causas. Pode ser localizada ou se estender até as pernas. A pessoa que se experimenta a dor lombar prolongada pode sofrer limitações significativas na rotina diária e prejuízo no funcionamento social e psicológico, levando a impacto na produtividade profissional e na qualidade de vida. A lombalgia tem aumentado em todo o mundo.


A dor na lombar é chamada de lombalgia mecânica quando tem origem na coluna vertebral, nos discos intervertebrais ou nos tecidos moles que envolvem a coluna sem doenças associadas como tumores, reumatismo ou outras. Essa é a forma mais comum e que mais afeta as pessoas.


Existem alguns fatores envolvidos na causa da dor mecânica nas costas, incluindo esforço excessivo, estresse inadequado nas costas e manutenção de postura incorreta na posição sentada ou durante o repouso em colchões inadequados.


O principal objetivo do uso de um colchão é fornecer suporte à postura corporal para que a posição neutra possa ser mantida, adaptando o alinhamento normal da coluna vertebral e ajustando-o de acordo com a curvatura do corpo para distribuir o peso de maneira uniforme.


Existem alguns efeitos de diferentes colchões na biomecânica do corpo, dependendo do material do colchão. A pressão exercida a longo do corpo deitado no colchão aumenta quanto maior a dureza do colchão. Isso leva a pontos de deformação na pele à medida que a pressão sobre o corpo aumenta. A alta pressão ativa receptores especiais chamados de nociceptores e mecanorreceptores, resultando em dor mecânica.


Isso contraria o pensamento habitual que colchões mais rígidos são benéficos para a coluna. Estudos recentes mostram que o colchão deve permanecer plano ou ter uma boa ação de mola para apoiar a curvatura corporal, permitindo maior mobilidade na cama durante o sono e sem forças de pressão indesejadas.


Além dos colchões, as posições ao dormir também contribuem para o início da dor lombar. Na posição supina para dormir, deitado com as costas no colchão, a pressão na coluna e nos discos intervertebrais é reduzida em 20% comparada com a posição em pé. Essa posição porém, estica o músculo psoas, que faz a flexão do quadril e aumenta a carga na coluna lombar, causando a hiperlodose nessa região. A posição lateral para dormir, conhecida como semi flower, foi a que melhor permitiu adaptação da coluna quando em um colchão de dureza intermediária, reduzindo a prevalência de dor.


O uso de colchão adequado para a postura tem sido um tema de debate há muito tempo, com a maioria dos médicos recomendando colchão extra firme para manter a lordose lombar sem qualquer evidência científica.


O que se sabe hoje:


A dor lombar é mais frequente em adultos jovens que usaram colchões firmes e de espuma de alta densidade ou que não trocaram seus colchões por 3 ou mais anos. O colchão de molas, geralmente composto de bobinas de aço elásticas, mostrou-se uma opção melhor, pois a lombalgia foi muito menos prevalente. Pacientes que geralmente usavam colchões de média firmeza obtiveram melhora em sua incapacidade relacionada à dor. A maioria dos fabricantes de colchão recomenda que se faça uma rotação periódica dele, trocando a cabeceira com os pés para evitar deformidade no colchão.


O colchão não é o único fator relacionado a dor nas costas. Se um paciente vem sentindo dores lombares deve procurar o auxilio de um médico especialista.



REFERÊNCIAS CIENTÍFICAS:

https://jpma.org.pk/article-details/10847?article_id=10847